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Seu primeiro e principal patrimônio: seu corpo

Simples assim. Mas não fácil, leva uma vida para entender isso. Será que a pandemia vai acelerar esse processo?

Seu primeiro e principal patrimônio: seu corpo

Minha mãe passou parte de sua vida trabalhando com patrimônio cultural: museus. Mas não é museóloga. É educadora e terapeuta corporal. E logo percebeu a impossibilidade de se cuidar do patrimônio cultural se você não sabe em primeiro lugar cuidar do seu próprio patrimônio: seu corpo. E se dedicou a dar aulas nos jardins dos museus para as crianças das comunidades carentes do entorno, ensinando que seu principal patrimônio é seu corpo, e isso é vida.

Distribuía escova de dentes e por vezes descobria que as crianças, felizes, ensinaram toda a casa a usar a escova e cuidar de seus dentes. Só que usando a mesma escova… Mesmo assim, esse ensinamento básico era fundamental para que, no futuro, cuidassem do patrimônio físico em seu entorno. Fosse sua casa ou, no caso dela, um museu. Museus que contém a nossa história, fundamental para nos ajudar a entender nossa origem.

Sim, muito legal esse trabalho. Por outro lado, quem é filho de terapeuta sabe que às vezes é de enlouquecer. Nenhuma doença é tratada com objetividade. Você cai e machuca o pé: certamente não estava inteira naquele momento, naquele movimento. Você tem pneumonia: está se sentindo sozinha. E por aí vai, qualquer doença do corpo vem associada a uma leitura corporal que te obriga a olhar não só seu corpo físico, mas também sua saúde emocional. Além de chás (quando muitas vezes você quer mesmo uma aspirina), própolis, comidas “de verdade” e tal.

Mas nada feito com radicalismo. Hoje reconheço que, ao se conhecer, você se previne, e se prevenindo, mantém sua imunidade alta ou, pelo menos, reconhece os sinais de estresse quando estes são inevitáveis e tenta alterá-los com descanso.

Nesse sentido, a busca do equilíbrio sempre foi um norte. E equilíbrio pressupõe o desequilíbrio. Tudo sempre é movimento. Tem espaço para chocolate, caipirinhas e tudo mais.

Fato é: não existe melhor momento que o atual para termos enfim consciência que nosso corpo é nosso primeiro e maior patrimônio. Entendido isso, certamente o passo seguinte é olhar nosso entorno e perceber se ele nos atende ou não para dar a esse corpo o que ele precisa.

Nesse momento, com esse olhar, sem ansiedade – que nada adianta nesse momento já que nossa liberdade de ir e vir está limitada – vamos pensar sobre esse entorno e eventualmente planejar o que precisa ser mudado.

Minha casa é meu lar? O que diferencia um do outro? O lar te acolhe, te protege, te relaxa. Tenho dentro dessa casa o que preciso para me acolher, me proteger, me relaxar?

Meu ambiente no trabalho é saudável? Quando estou no escritório tenho um espaço organizado suficiente para ser produtiva?

Use esse tempo para criar perguntas. Já é meio caminho andado.

Todos parecem angustiados com o futuro incerto. Cá pra nós, algum futuro é certo? Nada mudou! O que muda agora é nossa consciência de que o presente é um presente.

No presente, planejamos de maneira responsável o futuro para tentar minimizar surpresas. Esse é o desafio. No mais, contar com nossa resiliência e um pouco de sorte.

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Paula Porto

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