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Seu segundo patrimônio: seu lar

Uma reflexão sobre saúde e um lugar para chamar de lar

Seu segundo patrimônio: seu lar

Você já entendeu que seu primeiro patrimônio é seu corpo. E agora? Onde é seu lar?

Em tempo de pandemia e de muitas lives, eu aqui volto a pensar em quais perguntas me levaram às escolhas que fiz e que me trouxeram até esse momento. Porque respostas prontas, garanto que não foram. Como dizem meus posts de geladeira: “A vida acontece enquanto você faz planos” (sábio John Lennon) e “A cabeça é redonda para permitir ao pensamento mudar de posição”.

Humildade e solidariedade enfim parecem ter virado a palavra da vez para aqueles que tiverem a empatia desperta dentro de si. Mas isso é papo para outra hora.

Voltemos às perguntas. No meu caso, posso dizer que encontrei meu lar em 2001 quando compramos nossa primeira casa.

Somos frutos de nosso tempo e, no início dos anos 2000, ser andava grudado com ter. Então, depois de organizar toda a casa, cada armário, os quartos da minha filha já nascida e da que estava por vir, organizar toda a rotina que, no meu caso, incluía uma infraestrutura de ajuda doméstica com cozinheira, caseiro e faxineira… Esta segura e tranquila rotina foi revolucionada numa manhã, quando meu marido abriu os olhos, olhou para mim e disse: “Não vou viver para trabalhar e pagar um mundo que não quero ter”; “Quero ter tempo para ver minhas filhas crescerem”; “Quero tirar um ano sabático”; “Vamos vender a casa”.  Ele tinha 34 anos e eu, 33. E se a vida se faz ao caminhar, ele tinha razão. Para que correr o tempo todo?

Pensando bem, ele deve ter me dito isso à noite, porque de manhã não é muito o estilo dele… e já, para mim, uma fala dessas me deixa sem dormir.

Fato é: uma revolução interna se apossou de mim. Afinal tínhamos uma filha de 3 e uma de 1, e tudo parecia organizado e fluindo naquele sistema. 

Só que fiquei pensando… Se o custo dessa vida for a ausência reiterada dele, eu também não quero! Naquela época, o normal eram jornadas de 250 horas nos escritórios de advocacia, mais inúmeras viagens.

Inventei que só venderia a casa por um valor que achasse justo, contactei um corretor que confiava (meu parceiro até hoje) e confiei a ele a missão, crente que ele ia demorar séculos para resolver. Resolveu. 

Depois disso, me mudei 3 vezes até chegar à casa que estou há 11 anos e posso contar essa estória em outro momento, porque agora quero continuar a contar sobre as perguntas que fiz para chegar até aqui.

Já estabelecida na nova casa, minha irmã, que mora nos EUA, engravidou de seu primeiro filho, e eu, além de querer estar com ela e seu filhote, enfiei na minha cabeça que, a partir daquele momento, estaria com eles todos os anos, nas férias das meninas, para acompanharmos mutuamente o crescer dos nossos filhos. E aí, a cada férias, uma nova revolução interna se apossava de mim.

Quando minha filha mais velha nasceu, ganhei da nossa avó um enxoval todo bordado vindo do Ceará e, da minha sogra, várias roupinhas antigas, carinhosamente quaradas e cuidadas para sua chegada. Todas essas rendas, passadas e engomadas, transformaram nossa filha numa pequena princesa. Vira manta, golas lindas, cama bordada. 

Não tive dúvidas em arrumar uma mala inteirinha com o mesmo enxoval para levar para minha irmã. Ela teve um ataque de risos. Não fiquei ofendida, mas demorei a entender o porquê, até que, para ajudá-la, assumi a posição de lavar as roupas da casa. E em quinze minutos entendi que, na realidade dela, era impossível colocar qualquer roupa no filho que não pudesse ser lavada na máquina, secada na secadora e guardada diretamente no armário. E isso não era melhor nem pior, simplesmente é assim por lá.  

Quinze minutos pode ser o tempo que demora para você abrir os olhos, escutar o outro e entendê-lo.

Nas primeiras vezes que voltei, parte de mim ficava super mobilizada: minha irmã menor, aquele amor enorme, pensando que ela não teria que fazer nada disso aqui. Só que me dei conta que a única questão era: a construção da vida adulta dela se fez diferente da minha. Só isso. E, no caso dela, a ajuda vinha de qualquer maneira, porque a família se redistribui para que todos colaborem e cada um faz sua parte. É uma rotina que causa estresse no dia a dia, claro, mas em quem não?  Se as divisões são feitas de forma a deixar cada um com pelo menos uma tarefa que goste, já está ótimo. E que orgulho dos meus sobrinhos que desde pequenos aprendem a ler etiqueta de roupa para saber como lavar!

“Mas não se enganem: se você não faz voluntariamente um constante repensar, seu corpo ou sua mente vão sempre te parar, e te oferecer uma oportunidade, mesmo que involuntária, de ajustar seu rumo e seu prumo.” 

Já eu aqui, a cada volta repensava o lifestyle de vários de meus pares: dos meus avós que 18:00 paravam o dia, às 19:30 jantavam e depois viam Jornal Nacional, e daqueles onde o dia começava com mil tarefas, trabalhos e um rotina extenuante, incluindo: ginásticas, trabalhos, eventos sociais, e muita terceirização da família. Parecia que havia um desequilíbrio no ar, motivado por razões um tanto afastadas do tal “ser”…

Uma pneumonia, um burnout e três mudanças depois, aportei numa casa menor, um pequeno jardim e um tamanho que consigo dar conta.  Essa desconstrução não foi fácil, afinal, para quem cresceu com apenas quatro canais e repetidas vezes assistiu Mulher Maravilha, fica difícil entender sua própria humanidade.

Mas não se enganem: se você não faz voluntariamente um constante repensar, seu corpo ou sua mente vão sempre te parar, e te oferecer uma oportunidade, mesmo que involuntária, de ajustar seu rumo e seu prumo. 

Assim, enfim entendi que, para mim, o lar é onde eu estou com a minha família e onde tenho paz. Enraizei por 11 anos para que nossas filhas parassem de pensar que eram nômades, rsrs.

Quanto à minha irmã, ela é uma gigante. Minha melhor amiga, com quem conto para simplesmente tudo e é quem sei que vai estar sempre ao meu lado.

Quando acordo com preguiça de me exercitar, lembro que ela acorda para correr cedinho,  ainda de noite , pois o marido também quer sair para jogar e ambos tem que fazer isso antes do dia de trabalho começar. Quando passei a fazer tarefas domésticas que não fazia, escolhi ao menos uma que gosto e, ao fazer uma das que não gosto (faxina no topo), lembro de quando ela dá de doida e sai aspirando a casa toda para deixar tudo arrumado para nossa chegada. E quando tenho saudades, fazemos logo um vídeo para falar e ver qualquer coisa, escolher uma roupa juntas, ou bobagens desse gênero.

E quando eu achei que, nessa pandemia, ela ia sossegar, que nada! Logo resolveu arrumar a própria casa e a cada dia acompanhamos a pintura de algum lugar, além de ter colocado o marido para arrumar o jardim.

Quanto a mim, já estou repensando esse lar. As filhas já cresceram e sempre é tempo de mudar! Será o momento de um apartamento? Quem sabe o que virá? Fato é: para frente é que se anda. O que nos cabe é entender que somos muitos em uma só vida, vamos amadurecendo e nos renovando, aproveitando cada amanhecer.

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Nova

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