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O legado que Gastão Cruls deixou por amor à Amazônia

O legado que Gastão Cruls deixou por amor à Amazônia

No próximo mês de março – 2021 –, a Cartola Editora, de São Paulo, reeditará o romance “A Amazônia Misteriosa”, de Gastão Cruls. Nascido em 1888, nas dependências do então Imperial Observatório Astronômico do Rio de Janeiro, no Morro do Castelo, do qual seu pai Luiz Cruls era Diretor, Gastão formou-se médico, mas logo abandonaria a profissão para se dedicar exclusivamente à literatura. Fruto de ampla pesquisa, escreveu esse romance “fantástico” sem ainda ter pisado na Floresta Amazônica. Sua paixão pela Região Amazônica começou quando participou como Pesquisador Sanitarista da Comissão Rondon, na expedição com o famoso General Candido Mariano da Silva Rondon ao Alto Xingu.

Publicou, então, aquele documentário em forma de diário, resultado das suas observações de viagem. “A Amazônia Que Eu Vi”, em 1930, é o primeiro marco dessa nova fase que dará ao escritor uma posição das mais relevantes e que se manterá inalterada até o fim de sua carreira, sua eterna preocupação com a preservação da Amazônia. Publica quatro livros de contos: “Coivara”; “Ao Embalo da Rede”; “História Puxa História” e “Quatuor”. Juntam-se a esses contos os romances: “Elza e Helena”; “A Criação e o Criador” e “Vertigem”. A seguir publica o romance “De Pai a Filho”, que lhe confere em 1955 o Prêmio Luiza Claudio de Souza, concedido pelo Pen-Clube do Brasil. Gastão Cruls era Bibliotecário Chefe da Universidade do Distrito Federal. Era também Médico Sanitarista do Ministério da Educação e Saúde. Assumiu em seguida o cargo de Diretor da Divisão de Bibliotecas e Cinema Educativo da Prefeitura do Distrito Federal.

Ocupou por último o cargo de Diretor do Arquivo Nacional. Em 1931, junto com seu amigo Agripino Griecco, fundou a revista mensal “Boletim de Ariel”, revista bibliográfica e de crítica literária. Gastão era o Diretor, Agripino Griecco o Redator Chefe. Na mesma ocasião, os dois fundaram a “Editora Ariel” que representou na época um importante papel no desenvolvimento da atividade literária e editorial, uma vez que foram editados pela marca Ariel, uma série de escritores até então praticamente desconhecidos e que se projetaram a partir daí no âmbito nacional. Dentre outros podem ser destacados: Raul Bopp; Oswald de Andrade; Cornélio Penna; Murilo Mendes; Marques Rebelo; José Lins do Rêgo; Jorge Amado e Graciliano Ramos. Entre os nomes publicados pela “Editora Ariel” estavam Gilberto Amado, José Maria Belo, Otávio de Faria, Odilon Nestor e Lúcia Miguel Pereira.

Convidado algumas vezes, por amigos escritores, a se candidatar a uma cadeira da ABL – Academia Brasileira de Letras recusava o convite com a alegação de que: “a academia servia chá às quintas feiras e chá lhe fazia muito mal ao duodeno, o que lhe fazia bem à saúde eram bebidas compostas com malte”. Gostava de plantas, de flores, de pássaros, de bichos, de crianças, dos amigos e dos parentes. Por isso, cuidou do seu jardim e das suas orquídeas; criou aves, em enormes viveiros, das quais adorava a plumagem e o canto; adotou crianças recém-nascidas que se tornaram adultas em sua casa, conviveu com os amigos na maior intimidade e confiança; foi exemplar no desvelo à família.

Nos finais de semana refugiava-se em sua casa no Alto da Boa Vista, onde ia tratar do seu jardim, das suas flores, especialmente das suas orquídeas, das quais se tornou profundo conhecedor. Recebia frequentemente os amigos e parentes para almoços sem hora para terminar, regados com boas bebidas, sempre num ambiente da máxima simplicidade. Apreciava aperitivos, uma boa cerveja gelada, ou um bom vinho e o cigarro que lhe era indispensável, fumava-os em piteiras sempre de grande comprimento.

Publica a seguir “Aparência do Rio de Janeiro– Noticia Histórica e Descritiva da Cidade”. Seu livro, fruto de inúmeras viagens de pesquisa: “Hiléia Amazônica – Aspectos da Flora, Fauna, Arqueologia e Etnografia Indígenas”, com 48 pranchas policrômicas, teve enorme repercussão e ainda hoje é considerado o maior tratado sobre a preservação da Amazônia. Sobre essa obra assim escreveu Roquette-Pinto: “Trata-se do maior compêndio sobre a preservação da floresta amazônica”.

A NOVA se orgulha de ter em seu quadro de clientes, uma sobrinha-neta de Gastão Cruls.

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