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Luiz Cruls – Um cientista a serviço do Brasil

Explorador do céu e da terra

Luiz Cruls – Um cientista a serviço do Brasil

Luiz Cruls (1848 – 1908) foi um cientista que garantiu seu lugar na história científica do Brasil. Embora nascido na Bélgica, veio para cá, a convite de Joaquim Nabuco, com apenas 26 anos e já formado em engenharia. Aqui conheceu sua futura esposa. Em 1877, Luiz Cruls casa-se com Maria Margarida D’Oliveira, com quem teve sete filhos, dentre eles o médico e escritor Gastão Cruls. Em 1881 naturalizou-se brasileiro. Durante mais de 30 anos foi diretor do Imperial Observatório Astronômico do Rio de Janeiro. Muito contribuiu para torná-lo uma das mais importantes instituições científicas da América Latina. Chefiou as missões de observação da passagem de Vênus pelo Disco Solar; da demarcação do quadrilátero onde seria implantada a futura capital do Brasil – Brasília –; e da demarcação do novo estado do Acre. Descobriu um cometa e uma cratera na Lua que desde então levam seu nome.

Era professor da Escola Militar do Exército com a patente de Tenente-Coronel. Pela descoberta do cometa ganhou em 1882 o Prêmio Vals da Academia de Ciências de Paris. Quando de sua missão ao Planalto Central, elaborou um primoroso relatório que até hoje é considerado o primeiro RIMA – Relatório de Impacto de Meio Ambiente. Dessa missão participaram vários cientistas e militares, sendo que um deles era avô do Ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso. Para se ter uma ideia dessa missão convém assinalar que, além das barracas, das armas, dos mantimentos, dos instrumentos científicos – tais como dois círculos meridianos, teodolitos, sextantes, micrômetros, luneta astronômica, heliotrópios, cronômetros e relógios, seis barômetros de mercúrio e onze aneróides, bússolas, podômetros, diversos instrumentos meteorológicos, câmaras fotográficas com o respectivo material de revelação -, a comissão levou uma pequena oficina de aparelhos mecânicos destinada ao conserto dos instrumentos que viessem a sofrer algum acidente. Todo esse material ocupou um total de 206 caixas e fardos que pesavam ao todo cerca de dez toneladas.

Amigo pessoal de Dom Pedro II, com quem jogava intermináveis partidas de xadrez à distância, com estafetas que levavam e traziam as jogadas entre o Palácio Imperial da Quinta da Boa Vista e o Observatório no Morro do Castelo. Não raro, à noite, Dom Pedro ia ao Observatório apreciar a beleza do céu e a constelação do Cruzeiro do Sul. De sua viagem ao Planalto Central, escreveu em seu relatório: “Tenho a mais absoluta convicção de que a mudança da capital, a par dos interesses políticos que a ela se prendem, resultará para o Brasil, sua prosperidade e desenvolvimento futuro, as mais benéficas consequências, que atualmente ninguém pode avaliar”. O conjunto formado pelos quatro marcos, deixados no Planalto Central por Luiz Cruls e sua equipe, pode ser considerado um autêntico monumento à força de vontade do homem.

No ano de 2015 foram realizadas medições por GPS, que confirmaram a exatidão dos marcos, que haviam então sido demarcados por observação astronômica. Concluído o trabalho, “Limites entre o Brasil e a Bolívia”, que foi publicado em 1903, Luiz Cruls foi acometido pela malária e ficou tão doente que foi impedido de trabalhar. O governo lhe concedeu várias licenças para cuidar de sua saúde, que nunca mais recuperou inteiramente. Amigo de Louis Pasteur resolveu ir à França em busca de cura. Seu amor pelo Brasil era tão grande que em sua viagem à Europa, todas as noites permanecia no convés do navio observando o céu.

Na noite em que contemplou o Cruzeiro do Sul desaparecer, no horizonte oceânico, ao voltar para a cabine, disse para sua esposa: “Tudo acabou”. Era a premonição de que não mais voltaria ao Brasil. Seu trabalho na demarcação de limites entre o Brasil e a Bolívia o havia deixado irremediavelmente doente. Sua paixão pela nossa pátria só foi superada pela que dedicou à sua esposa e aos seus filhos, como comprova a carinhosa correspondência trocada, durante as missões cientificas, com eles, cheia de afeto e poesia. Em 1992 por proposta de um de seus bisnetos, foi inaugurada a “Praça Luiz Cruls”, na cidade de Rio Branco, Estado do Acre.

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